Exemplos pelo mundo

Exemplos pelo mundo

24 de janeiro de 2020 0 Por Pensar Lajeado

Não faltam inspirações para apontar o caminho do desenvolvimento e da inovação que o Vale do Taquari deve seguir. Para Sandro Faleiro, a criação de uma agência de desenvolvimento é um exemplo a ser seguido.

Röhsig conheceu de perto a realidade do ecossistema da inovação de Israel

“Estive em uma região do Canadá e lá essa agência é um órgão independente. Ela articula todos os entes. Prefeitura, entidades e empresários participam, é ela que faz o trabalho de integrar esses atores e, em conjunto, definir os focos de atuação. O prefeito, o diretor da agência, os reitores de três universidades, todos falaram com o mesmo alinhamento. Assim a coisa funciona”, afirma.

Para Röhsig, o exemplo de Israel é uma das grandes inspirações. Lembra que, muito do que foi feito naquele país, se deve à cultura judaica. “Lá eles tem isso de questionar, falhar. É algo que vem desde a infância. As crianças questionam e perguntam muito. É uma característica única. Lá pode errar que vai ser bem vindo e será empreendido pelo erro. Não à toa, eles têm uma grande quantidade de startups”, comenta.

Fleck lembra que, em cidades como Florianópolis, hubs de inovação são bancados quase que 100% pela iniciativa privada. “Conversamos com muita gente de lá e de São Paulo. Vemos empresas e universidades muito mais próximas, startups nascendo e acontecendo, as pessoas participando”, salienta.

Mudança de modelo mental

“Medo de errar” impede o despertar de muitas empresas para a inovação

O Vale do Taquari é uma região que possui forte influência da colonização alemã e italiana. Por um lado, há uma forte tendência ao empreendedorismo. Por outro, a característica mais conservadora muitas vezes faz com que empresários se limitem a fazer o convencional. Ou seja, tem “medo de errar”.

Para Röhsig, é fundamental trabalhar o modelo mental da região para que o ecossistema de inovação ajude a região a, de fato, evoluir. “Mudar o mindset é quando a gente aceita errar, aceita diferenças. Do ponto de vista de inovação, isso é fundamental. É preciso aceitar que o erro pode acontecer. Muitos não o fazem porque não querem correr o risco”, pontua.

O consultor lembra que a inovação pode ser transformacional ou incremental e que, se o Vale não entender a importância da mudança de modelo mental, jamais conseguirá alcançar esses padrões de inovação. “Ainda estamos longe disso. Gostaria muito de ver os grandes líderes empresariais envolvidos, nas suas empresas, trazendo problemas para essas semanas acadêmicas e criar aproximação com a Univates e outras universidades”.

Mais do que mudar o modelo mental, é necessário também deixar o individualismo e o tradicionalismo de lado. CEO da Medical San, Mauro Filho acredita que o Pro_Move somente fará a diferença se houver união de esforços entre iniciativa privada, pública e academia.

“Devemos acreditar que é possível criar um ambiente propício para nossos jovens desenvolver, criar, errar, gerar paixão nesta geração pelo empreendedorismo. A inovação pode mudar a história de uma geração e isso pode acontecer aqui, na nossa região. O Vale do Taquari tem muito para avançar e necessitamos urgentemente despertar para a economia mundial. Sem dúvida alguma, o que mais agrega valor aos serviços e produtos é a tecnologia”, explica.

“As coisas estão alinhadas para acontecer”

Certi entregou estudo detalhado sobre o ecossistema de Lajeado

O ano de 2019 foi o marco inicial para o Pro_Move Lajeado, com a elaboração do projeto do ecossistema de inovação do município. O material foi produzido pela Fundação Certi, de Santa Catarina, entre os meses de abril e setembro. Os contatos, entretanto, começaram ainda em 2018, quando a Univates e o governo de Lajeado começaram a se movimentar em busca de instituições especializadas para executar o plano.

Coordenador do projeto, Renan Hubert explica que, inicialmente, a Certi realizou o diagnóstico do município e definiu os quatro setores estratégicos: alimentos, saúde, tecnologia da informação e comunicação e automação. Esse diagnóstico foi apresentado em um workshop e, depois, aprofundado, sobre como cada uma das áreas estão caracterizadas em relação a formação de talentos.

“Começamos a avaliar se tem tecnologia sendo produzida na universidade e se as empresas desses setores estão conseguindo captar investimentos. A partir daí, o público presente nos workshops começou a fazer planejamentos setoriais e do ecossistema. Nossa parte foi concluída nesse mês de dezembro, com a entrega final do planejamento”, explica.

 

Segundo Hubert, a Certi ficou impressionada com o caminho já percorrido por Lajeado para fortalecer o seu ecossistema de inovação.
“É uma cidade com uma dinâmica bem interessante, grandes empresas e uma universidade muito forte. Possui um ambiente favorável na parte governamental. Observamos que as coisas estão, neste momento, alinhadas para acontecer. Tem o Fundo e a Rota da Inovação, o Acelera Lajeado. São um conjunto de programas que possibilitam Lajeado dar o salto que necessita”, ressalta.

Hubert destaca a importância de se trabalhar com a “ponte da inovação”, colocando a academia de um lado e o mercado de outro. “É onde estão as tecnologias, onde surgem as ideias. É importante ter um ambiente favorável para o nascimento de startups, ou mesmo de ideias que se transformem em serviços”, salienta.

 

Ecossistema estruturado

Praticamente todas as cidades inovadoras fizeram esforços para atrair grandes empresas. Hubert cita o exemplo de Florianópolis, que priorizou essa política durante duas décadas.

“Porém, elas só começaram a vir quando já existia um ecossistema estruturado. Esse é o principal atrativo para uma empresa tecnológica querer se instalar, além de uma mão de obra formada”, avalia.

Para ele, é importante Lajeado também pensar em formas de atrair este tipo de empresas, além de fortalecer as instaladas na cidade. “Elas podem tanto se beneficiar desse movimento, como também ter um papel relevante para ajudar o ecossistema da inovação. E tendo município, empresas e universidades trabalhando juntos, facilita muito a vinda de empresas de tecnologia de fora”.

 

Soluções logísticas que vêm da tecnologia

Empresa possui um setor de inovação que está incubado no Tecnovates

O conceito de logística 4.0 ganha força com as evoluções tecnológicas e promete um sistema de distribuição de mercadorias cada vez mais transparente, seguro e eficiente no futuro. Em busca de inovações no ramo, a Tomasi Logística aposta em uma parceria com o Tecnovates.

Desde maio de 2019, a empresa de Lajeado tem um setor de inovação encubado na universidade. São três profissionais que atuam no local para desenvolver soluções para o transporte de cargas. “Esse mundo tecnológico exige cada vez mais visibilidade e automação dos processos de distribuição”, percebe o diretor Diego Tomasi.

Passado menos de um ano, o grupo criou um aplicativo chamado Hublog. Entre as funcionalidades está o rastreamento de mercadorias. “É quase um Uber voltado para o transporte de cargas. O cliente poderá acompanhar toda a viagem do caminhão até a entrega final”, aponta.
Outras funções do aplicativo que ainda está em fase de testes referem-se a organização de pedidos e documentação dos serviços.

Para Diego, além de promover soluções à empresa, objetivo do setor incubado no Tecnovates é modernizar o sistema logístico e garantir para o Vale do Taquari inovações que possam fazer a região se tornar competitiva, mesmo se equiparado com cidades mais próximas de grandes centros.

No futuro, algumas das ideias pensadas para o aplicativo da Tomasi Logística poderão ser utilizadas no transporte coletivo de Lajeado, possibilitando ao passageiro saber a localização do ônibus e informações sobre as linhas disponíveis, por exemplo.

“Logo podemos desenvolver tecnologias que serão comercializadas no mercado. Ser uma provedora de soluções logísticas”, planeja.

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