Lajeado já tem mais de 100 empresas ligadas à tecnologia

Lajeado já tem mais de 100 empresas ligadas à tecnologia

24 de janeiro de 2020 0 Por Pensar Lajeado

Levantamento aponta existência de mais de 100 empresas que atuam nos segmentos relacionados à era digital. De grandes a pequenos, os negócios mostram uma pré-disposição local em investir no setor, seja em amplos e modernos espaços, ou em empreendimentos no quintal da casa. Líderes de parques tecnológicos como Tecnopuc, professores e empresários analisam a articulação lajeadense em torno do tema.

 

Mauro, Ricardo, Fábio, Jairo, Diego, Douglas, Armando, Tiago. E outros tantos. Empreendedores que perceberam as oportunidades da era digital e nortearam seus negócios em direção a produtos e serviços com soluções tecnológicas. De embrionárias ideias de startups a grandes negócios.
Ao passo que Lajeado constrói um ecossistema de inovação e tecnologia a partir do Pro_Move, o número de empresas relacionadas ao setor mostra um ambiente virtuoso para consolidar a região como propícia para o desenvolvimento de negócios e inovações inteligentes. Ainda assim, é urgente a atualização do mindset e do jeito de pensar e tocar as empresas, inclusive daqueles cuja tecnologia, informática ou desenvolvimento é a matéria prima número 1.

“Um dos principais cases que temos no RS”

O Rio Grande do Sul despertou tarde para a importância de investir e fomentar a tecnologia e a inovação. Capital gaúcha, Porto Alegre ainda é a referência para o restante do estado. Mas como o interior se coloca neste cenário?

São poucas as regiões que se movimentam no sentido de apostar em um crescimento impulsionado pelo desenvolvimento tecnológico. O Vale do Taquari é uma delas. E a iniciativa é elogiada por quem já está há mais tempo trabalhando com esta proposta ou tem conhecimento aprofundado sobre o tema. Mas também há o alerta: essa política precisa ser permanente e é necessário aproveitar o momento.

Para o consultor em gestão empresarial Fernando Röhsig, o fato de Lajeado capitanear esse processo mostra sua tendência ao protagonismo. “É o início de um movimento que está ocorrendo aqui na região. Mas é preciso criar um mecanismo para que empresas de outras cidades não vejam com algo apenas de Lajeado. É um programa regional e a região tem que dar as condições necessárias”, afirma.

Para o superintendente de Inovação e Desenvolvimento do Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), Jorge Luis Nicolas Audy, Lajeado é um dos principais cases de interação e atuação da quádrupla hélice no RS. “É um grau de interação, seja com a prefeitura, entidades e empresas, no mais alto nível. Se perguntarem para mim, como gestor, digo que o modelo desenvolvido no Pro_Move é um dos melhores exemplos que temos no estado.

Audy cita outros exemplos de regiões mais avançadas, mas ressalta que o Pro_Move é o que está com melhor desenvolvimento da quádrupla hélice, junto com o Pacto Alegre, que ajudou a desenvolver em Porto Alegre. “Há movimentos interessantes sendo feitos em Pelotas e Rio Grande. É importante o entendimento do papel da inovação e da criatividade como um processo de transformação de uma região”, diz.

 

 

Professor e diretor do Centro Organizacional da Univates, Sandro Faleiro vivencia o meio acadêmico há 18 anos. Para ele, Lajeado nunca encontrou um momento tão favorável para consolidar seu ecossistema de inovação. “Se inicia um trabalho de prospecção de oportunidades, de maneira mais ordenada. Antes eram sempre iniciativas com pouca articulação. Agora tem um propósito, um alinhamento entre esses entes que formam a quádrupla hélice, um movimento que nunca tinha acontecido”, lembra.

Aproveitar o momento e fazer a lição de casa

Por outro lado, ainda há a preocupação com o papel das empresas neste processo de inovação e tecnologia. Para o CEO da BiMachine e diretor de tecnologia da Acil, Douglas Scheibler, o momento atual é ímpar, mas uma grande parte da classe empresarial ainda não está interessada em participar deste movimento.

Papel da iniciativa privada é fundamental para o desenvolvimento e fortalecimento do ecossistema de inovação

“É muito perigoso deixar esse momento passar sem fazer as coisas acontecerem. Temos uma forte cultura empreendedora e pessoas inteligentes que elevam a régua da região. Ao mesmo tempo, essa cultura não é de tecnologia e inovação. São pontos muito pouco explorados aqui, por isso acabamos perdendo muitos talentos, já que não temos um ecossistema estruturado”, afirma.

A análise converge com o que diz o mentor do Tecnovates e professor da Univates, João Carlos de Britto. “Ainda somos bastante conservadores e tradicionalistas nesse sentido. Pouco vemos por aqui algum tipo de negócio que realmente inova. Temos exceções, mas são situações pontuais, e não disruptivas. Essa cultura da inovação ainda não está instalada em Lajeado e região”, alerta.

Para que o ecossistema se fortaleça, lideranças defendem o papel da iniciativa privada. Para Augusto Fleck, um dos diretores da BiMachine, uma saída é as grandes empresas investirem em startups e hubs de inovação. “Se estas empresas abrirem as portas, tanto para projetos de inovação quanto para eles mesmos investirem, a chance de sucesso é muito grande”, afirma.

 

 

Processadores

Um dos exemplos no qual o Vale do Taquari se espelha é no seu “xará” Vale do Silício, região dos Estados Unidos cujo Produto Interno Bruto (PIB) é superior ao da maioria dos países do mundo. Embora a realidade seja outra, é importante ter ideias semelhantes ao que foi implantado lá, entende Fernando Röhsig.

“Lá, 50% da população vem de outros países. É um local muito precioso e que tem na Intel, seu grande exemplo de aceleração do crescimento. É uma empresa desse porte, de processadores, que precisamos. Sem o processamento, não vamos dar o salto que precisamos. Ele é estrategicamente importante, pois é um gargalo que todo mundo tem”, defende.

O caminho de fortalecer o ecossistema com investimentos externos é defendido por Britto, que elogia a atual estruturação do Pro_Move, mas diz que é necessário ir além. “È um bom começo. Mas, de certa forma, ele está voltado a privilegiar pessoas daqui, mas ainda não é atrativo para organizações e pessoas que sejam de fora e estão inovando”, explica.

Para Scheibler, entretanto, Lajeado ainda está longe de ser um local atrativo para receber empresas externas. “Há lugares muito mais preparados atualmente. A curto prazo, o negócio é preparar quem está aqui, convencê-los a ficar”, salienta, citando o exemplo da própria empresa, que optou por ficar em Lajeado, contribuindo com a qualificação do sistema de tecnologia e inovação da cidade.

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