Tecnologia e transformação pessoal para vencer a criminalidade

Tecnologia e transformação pessoal para vencer a criminalidade

24 de janeiro de 2020 0 Por Pensar Lajeado

Investimento em videmonitoramento e em softwares de inteligência cria em Lajeado o que os especialistas chamam de “cercamento eletrônico”. Câmeras de última geração registram placas dos veículos que entram e saem da cidade, e possibilitam reconhecimento facial de criminosos. Ao mesmo tempo, programa Pacto Pela Paz trabalha na formação dos cidadãos.

Um dos problemas que mais preocupa o brasileiro de hoje é falta de segurança pública. Deixa a desejar aos anseios da população. Assim como nos grandes centros, a violência e a criminalidade crescem em proporções desproporcionais ao trabalho das forças de defesa, criando um ambiente de completa insegurança. E isso reflete em diversos outros setores sociais e da nossa economia.

Em 2019, os números de ocorrências de crimes em Lajeado diminuíram em relação ao ano anterior, conforme dados divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança Pública (ver tabela). Ainda assim há muito a fazer para garantir a tranquilidade dos lajeadenses e dos visitantes. Como a grande maioria dos municípios do país, a cidade também sofre com déficit de policiais nas áreas de atuação ostensiva e de investigação.

Central de Monitoramento funciona 24 horas na sede do 22º BPM. Identificação de placas é um dos principais avanços do sistema

Para driblar esse entrave, o governo municipal, em parceria com empresários e com o Estado, apresenta projetos direcionados à tecnologia e à educação do cidadão. Na área tecnológica, a aposta é em câmeras de videomonitoramento de última geração, e também na criação de um Centro Integrado de Operações. Para isso, policiais da reserva são chamados para atuarem no controle dos equipamentos e posterior comunicação com a guarda ostensiva.

O “cercamento eletrônico” da cidade é uma aposta que iniciou em gestões anteriores. As primeiras câmeras de vigilância foram instaladas no governo da ex-prefeita, Carmen Regina Cardoso. O prefeito seguinte, Luís Fernando Schmidt, mais que duplicou o número de aparelhos nas áreas centrais da cidade, e também foi responsável pela criação da Secretaria de Segurança. Atual prefeito, Marcelo Caumo, ampliou o número e modernizou o sistema.

Placas e reconhecimento facial

Hoje, a cidade é monitorada por 44 câmeras instaladas em pontos estratégicos do centro e bairros mais distantes. Alguns aparelhos possuem um software para identificar as placas de veículos que entram, saem ou mesmo transitam pelo município. Com isso, explica o Secretário de Segurança de Lajeado, Paulo Locatelli, qualquer veículo suspeito ou mesmo em situação de furto ou roubo será identificado pela central de monitoramento.

O governo municipal também investe em câmeras de reconhecimento facial em pontos de grande aglomeração de pessoas, e também em locais de acesso e saída da cidade. Além de identificar possíveis criminosos, os aparelhos também podem encontrar crianças desaparecidas, por exemplo. Entretanto, o sistema ainda carece de um banco de dados. “Quem possui essas informações é o Instituto Geral de Perícias. Estamos solicitando”, afirma.

Outra necessidade urgente é a instalação de fibra ótica nas estruturas das forças de segurança de Lajeado. Além de um Presídio Estadual, a cidade possui sedes do Comando Regional de Policiamento Ostensivo (CRPO), Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Delegacia Regional e Delegacia da Mulher. Recentemente, inaugurou também a Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas (Draco).

 

O Pacto Pela Paz

Pacto Pela Paz é desenvolvido pelo Instituto Cidade Segura. Mais de 10 mil crianças e adolescentes passarão a receber disciplinas socioemocionais

Em síntese, o programa Pacto Pela Paz busca a transformação pessoal do cidadão lajeadense, para estagnar os índices de criminalidade e devolver a dignidade aos mais afetados pela violência e desigualdade social. É um movimento multissetorial com o objetivo de estimular e promover a criação de uma cultura de paz no município.

Para isso, envolve diversas entidades e agentes policiais e fiscalizadores, alicerçado em cinco eixos estruturantes: Prevenção Social, Urbanismo, Fiscalização Administrativa, Tecnologia e Policiamento e Justiça. Em diferentes encontros, o projeto foi apresentado para autoridades municipais e estaduais, líderes comunitárias, diretores e coordenadores de escolas, coordenadores de cursos da Univates, bem como para líderes de organizações religiosas.

O projeto prevê um Sistema Municipal de Prevenção, que funcionará com base em indicadores subdivididos em três níveis – primário, secundário e terciário. Entre as ações, operações integradas de fiscalização e policiamento ostensivo em pontos e horários estratégicos; formação de grupos de Facilitadores da Paz, Educação Socioassistencial, e visitas às comunidades carentes para criar empatia entre moradores e forças de segurança.

 

O Instituto Ipê-Amarelo

Em julho de 2019 foi criado o Instituto Cultural Ipê-Amarelo Vale do Taquari, para gerenciar recursos repassados pela iniciativa privada e pessoas físicas – futuramente com o abatimento de até 5% do ICMS. Inspirado no Instituto Florestal, de Porto Alegre, foi criado com o objetivo de obter doações financeiras para equipar as polícias militar, civil rodoviária e Corpo de Bombeiros.

Presidente voluntário do instituto, André Kieling informa que os valores arrecadados são utilizados na compra de veículos, armamentos, munições, capacetes, coletes balísticos, rádios comunicadores, equipamentos de rastreamento, itens de informática, bloqueadores de celular, câmeras centrais e de videomonitoramento. “Vamos elaborar um calendário de visitas para buscar pessoas com capacidade de auxiliar”.

Já foram comprados veículos e armamentos para as corporações de Lajeado. “Precisamos de uma cidade mais segura, para que as pessoas sintam-se mais confiantes para sair, comprar, viver com tranquilidade. E segurança pública é responsabilidade de todos.” O Poder Executivo pretende encaminhar à câmara, em janeiro, o projeto de criação da Guarda Municipal. Inicialmente propõe 10 agentes atuando nas ruas da cidade.

Lajeado é pioneira no interior do Estado ao criar um instituto para angariar recursos para as forças de segurança

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